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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A Determinação que Encontra a Vontade de Deus


 A Vontade de Deus como Fundamento para a Firmeza e a Iluminação em Nossas Decisões.


Texto Base: Jó 22:28 (com contexto em Jó 22:21-27)

"Determinarás tu algum negócio, e ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos." (Jó 22:28, ARC)

I. Introdução: O Desejo Humano e a Promessa Divina

Todo ser humano anseia por certeza e deseja que seus planos e "negócios" — sejam eles profissionais, familiares ou ministeriais — sejam firmes e bem-sucedidos. O versículo 28, em uma leitura superficial, pode parecer uma fórmula simples para o sucesso: basta determinar algo para ver a luz brilhar.

É crucial, contudo, abordar este texto com cautela contextual. Esta é a fala de Elifaz, o temanita, um dos amigos de Jó, cuja teologia da retribuição simplista (justiça resulta em bênção; sofrimento é punição pelo pecado) é posteriormente corrigida por Deus

. O Princípio de Exegese nos ensina que, embora o argumento de Elifaz fosse falho em sua aplicação a Jó, o princípio que ele enuncia, quando desvinculado de seu erro e alinhado à soberania de Deus, contém uma verdade bíblica. A Tese central desta mensagem é que a firmeza e a luz prometidas em Jó 22:28 não são um resultado da nossa força de vontade, mas uma consequência direta do nosso alinhamento com a vontade de Deus, conforme descrito nos versículos anteriores.

II. O Pré-Requisito da Firmeza: O Alinhamento com Deus (Jó 22:21-27)

O versículo 28 é a conclusão de uma série de passos que Elifaz, ironicamente, descreve corretamente como o caminho para a restauração. A vontade de Deus é encontrada nestes passos que precedem a determinação.

Ponto 1: A Determinação da Reconciliação (v. 21)

O primeiro e mais importante "negócio" que devemos determinar é o nosso relacionamento com Deus. O texto afirma: "Apega-te, pois, a ele, e tem paz; e assim te sobrevirá o bem." A Prioridade é clara: a paz com Deus (reconciliação) deve preceder a busca por qualquer outra coisa. Não podemos esperar a bênção de Deus em nossos empreendimentos se estamos em inimizade ou distanciamento d'Ele. A vontade de Deus é que nos acheguemos a Ele por meio de Cristo (2 Coríntios 5:18-20)
.

Ponto 2: A Determinação da Palavra (v. 22)

A vontade de Deus não é um mistério indecifrável, mas é revelada em Sua Palavra: "Aceita, peço-te, a lei da sua boca, e põe as suas palavras no teu coração." A Palavra de Deus serve como o Filtro da Vontade. Nossas determinações e planos ("negócios") devem ser filtrados e fundamentados na Escritura. Se um plano contradiz a Palavra, ele não é a vontade de Deus. A luz que brilhará em nossos caminhos (v. 28) é a própria Palavra de Deus, que é lâmpada para os nossos pés (Salmo 119:105)
.

Ponto 3: A Determinação da Submissão (v. 23-27)

O chamado à submissão é evidente nos versículos seguintes: "Se te converteres ao Todo-Poderoso, serás edificado... e orarás a ele, e ele te ouvirá...". A vontade de Deus é a nossa santificação, o que implica um Retorno à Retidão (v. 23). A firmeza que buscamos não é apenas material, mas de caráter. Isso inclui o Desapego Material (v. 24-25), um sinal de que Deus é o nosso maior tesouro, e a Comunicação Constante (v. 26-27), pois a oração é o termômetro da nossa submissão.

III. Conclusão: A Promessa Cumprida (v. 28)

Quando o nosso "negócio" é determinado depois de nos apegarmos a Deus, sob a luz da Sua Palavra e em submissão à Sua vontade, a promessa de Jó 22:28 se cumpre em seu sentido mais profundo.

A Firmeza não significa ausência de desafios, mas a estabilidade que vem de ter Deus como alicerce, como o homem prudente que edifica sua casa sobre a rocha (Mateus 7:24-27)

. O negócio é firme porque está na mão d'Ele. A Luz que brilha em nossos caminhos é a direção e a presença de Deus. É a certeza de que Ele está conosco, iluminando o caminho da obediência.

O Chamado Final é para refletirmos:

Qual é o "negócio" que temos determinado? Antes de determinar o quê, devemos determinar o Quem. Que a nossa maior determinação seja a de viver em plena e constante vontade de Deus. Só assim teremos a paz, a firmeza e a luz que o mundo não pode dar.


Samuel Carvalho

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Como Abraão Foi de Seguidor a Amigo de Deus



A Fé que Muda o Nível: Como Abraão Foi de Seguidor a Amigo de Deus


O Segredo de Gênesis 15:6 que Define a Nossa Salvação

A história de Abraão é uma das mais ricas e fundamentais da Bíblia. No entanto, há um versículo específico que serve como a espinha dorsal da teologia da salvação, um ponto de virada que transformou o relacionamento de um homem com o Criador e estabeleceu o padrão para todos os que viriam depois. Este versículo é Gênesis 15:6:

"Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado por justiça."

Este não é apenas um registro histórico; é a declaração de que a é o único caminho para a justificação. Analisar este momento é entender como podemos, hoje, mudar o nível do nosso próprio relacionamento com Deus.

1. O Cenário da Crise: A Promessa Impossível

Para apreciar a fé de Abraão, precisamos entender o contexto em que ela floresceu. Deus havia chamado Abrão (seu nome original) para deixar sua terra e prometeu torná-lo uma grande nação (Gênesis 12). No entanto, anos se passaram, e a promessa de um herdeiro direto não se concretizava.

Em Gênesis 15, Abraão está em um diálogo franco com Deus, expressando sua frustração: "Senhor Deus, que me haverás de dar, visto que eu permaneço sem filhos, e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer?" (v. 2). Humanamente, a situação era irreversível. Ele e Sara estavam envelhecendo, e a esperança biológica havia se esgotado.

É neste momento de profunda incerteza que Deus o leva para fora da tenda e lhe dá uma visão: "Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Assim será a tua posteridade" (v. 5). Deus não ofereceu uma solução imediata, mas sim uma promessa visual e sobrenatural.

2. O Ponto de Virada: O Significado de "Imputado por Justiça"

A resposta de Abraão a essa visão é o cerne da nossa fé. Ele não viu o filho, mas creu na Palavra de Deus.

O termo "imputado" (do hebraico chashab e do grego logizomai, usado por Paulo em Romanos 4) é crucial. Ele vem do vocabulário contábil e legal, significando "creditar", "contar" ou "atribuir".




O apóstolo Paulo utiliza o exemplo de Abraão em Romanos 4 para demolir a ideia de que a salvação vem pelas obras da Lei. Ele argumenta que se Abraão tivesse sido justificado por obras, ele teria do que se gloriar, mas não diante de Deus.

"Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça." (Romanos 4:4-5)


A fé de Abraão foi o canal pelo qual a justiça de Deus foi creditada a ele. Ele foi declarado justo não porque era perfeito, mas porque confiou perfeitamente em um Deus perfeito.

3. De Seguidor a Amigo: A Transformação do Relacionamento

A justificação pela fé não é apenas uma mudança de status legal; é uma transformação de relacionamento. O novo nível de intimidade de Abraão é selado com um título honroso: "Amigo de Deus".

O livro de Tiago confirma essa mudança de nível:

"E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus." (Tiago 2:23)

Um seguidor obedece a ordens; um amigo compartilha segredos e propósitos. A partir de Gênesis 15, Deus não apenas ordena a Abraão, mas revela Seus planos (Gênesis 18:17: "Ocultarei eu a Abraão o que faço?"). A fé abriu a porta para uma intimidade sem precedentes.

4. A Fé que Opera: Obras como Evidência

É fundamental harmonizar a teologia de Paulo (justificação pela fé) com a de Tiago (a fé sem obras é morta).

As obras de Abraão, como a obediencia em sacrificar Isaque (Gênesis 22), não foram a causa de sua justificação, mas a prova irrefutável de que a fé que lhe havia sido imputada era viva e genuína.

Tiago 2:22 afirma que a fé de Abraão "foi aperfeiçoada pelas obras". A fé é a raiz; as obras são o fruto. A mudança de nível no relacionamento de Abraão foi evidenciada por uma vida de obediência radical, que só é possível quando se confia plenamente no caráter de Deus.

Conclusão: O Convite para o Seu Novo Nível

A história de Abraão é um convite atemporal. Em um mundo que valoriza o mérito, o esforço e a performance, a Bíblia nos lembra que o acesso ao coração de Deus é pela .

Assim como Abraão, somos chamados a crer no Deus que:

Chama à existência as coisas que não existem (Romanos 4:17).
Dá vida aos mortos (a promessa de um filho a um casal idoso).

Se você tem enfrentado circunstâncias que parecem impossíveis, lembre-se do céu estrelado de Abraão. O ato de crer no Deus que pode fazer o impossível é o que lhe será imputado por justiça. É esse ato que transforma você de um mero seguidor em um Amigo de Deus, elevando seu relacionamento a um novo e glorioso nível de intimidade e propósito.

O brilho de uma estrela que chega até nós, é mais do que algo a ser adimirado, é a prova que aquela estrela mesmo distante a milhões de anos-luz existe! Ver o seu brilho é saber que ela existe!
Qual é a "estrela" que Deus está te chamando para crer hoje?

Pr. Samuel Carvalho



quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O Estado que Causa Náuseas em Deus

 




O Trágico Engano de Laodiceia

Texto Base: Apocalipse 3:14-22

Introdução

A carta à igreja de Laodiceia é a mais severa das sete cartas do Apocalipse. Nela, não encontramos nenhum elogio, apenas uma denúncia contundente e um apelo desesperado de amor. Laodiceia representa o perigo de uma igreja que tem tudo o que o mundo valoriza, mas perdeu o que o Céu exige: a presença real de Jesus.

I. A Igreja Morna: O Estado que Causa Náuseas em Deus (v. 15-16)

Jesus usa uma metáfora geográfica para descrever o estado espiritual dessa igreja. Laodiceia não tinha fonte própria de água; ela recebia águas quentes de Hierápolis (terapêuticas) e águas frias de Colossos (refrescantes). No trajeto pelos aquedutos, a água chegava morna.

1.A Inutilidade da Mornidão: A água quente serve para curar; a água fria serve para saciar a sede. A água morna não serve para nada. Espiritualmente, o "morno" é aquele que está satisfeito com sua religiosidade, mas não tem fervor; tem a forma de piedade, mas nega o poder.

2.A Reação de Jesus: "Estou a ponto de vomitar-te". A palavra grega é emesai, que indica uma reação física de repulsa. Para Deus, a indiferença e a autossuficiência de quem "já sabe tudo" e "já tem tudo" é mais ofensiva do que a frieza de quem nunca conheceu a verdade. A mornidão é o pecado da acomodação.

II. A Ilusão da Riqueza: O Contraste entre o Ter e o Ser (v. 17)

Laodiceia era o centro financeiro da Ásia Menor. Era tão rica que, após o terremoto de 60 d.C., recusou ajuda imperial, dizendo: "Nós mesmos faremos". Esse orgulho financeiro tornou-se um câncer espiritual.

1.A Autoavaliação da Igreja:
"Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma". Eles mediam o sucesso da igreja pelo saldo bancário, pelo tamanho do prédio e pelo status social dos membros. Eles achavam que a prosperidade material era prova do favor de Deus.

2.O Diagnóstico Real:
Jesus diz que eles eram "miseráveis, pobres e nus".
Miseráveis: Apesar do luxo, suas almas estavam em ruínas.
Pobres: Eles tinham ouro romano, mas não tinham o "ouro refinado no fogo" (a fé provada).
Nus: Eles produziam a famosa lã preta, mas estavam despidos das "vestiduras brancas" da justiça de Cristo. A nudez no mundo bíblico é símbolo de vergonha e julgamento.

III. A Cegueira Espiritual: Olhos Abertos para o Mundo, Fechados para o Céu (v. 17-18)

A cidade era famosa por sua escola de medicina e pelo "pó frígio", um colírio exportado para todo o mundo. Eles se orgulhavam de sua visão e conhecimento.

1.Cegos para a Própria Condição:
O maior cego é aquele que não quer ver. A igreja de Laodiceia não percebia que Jesus não estava mais no centro. Eles viam as oportunidades de negócios, mas não viam a decadência espiritual.

2.O Remédio de Cristo:
Jesus os aconselha a comprar d'Ele o colírio. Isso nos ensina que a visão espiritual não é algo que produzimos, mas algo que recebemos através do arrependimento. Precisamos que o Espírito Santo unja nossos olhos para que possamos ver a realidade como Deus a vê.

IV. Jesus à Porta: O Dono da Casa Excluído (v. 20)

Esta é uma das imagens mais tristes e, ao mesmo tempo, mais esperançosas da Bíblia.

1.O Lado de Fora:
Jesus não está falando para descrentes aqui; Ele está falando para a Sua Igreja. A igreja estava tão cheia de si, de seus programas e de sua riqueza, que Jesus foi empurrado para fora. Eles celebravam o culto, mas o Objeto do culto estava do lado de fora da porta.

2.A Atitude de Jesus:
Ele não arromba a porta. Ele bate e chama.

Bater: É o apelo através das circunstâncias e da Palavra.
Chamar: É o apelo pessoal à voz. Jesus está apelando para que alguém (individualmente) ouça.

3.A Promessa da Ceia:
"Entrarei e cearei com ele". No contexto oriental, a ceia era o momento de maior intimidade. Jesus não quer apenas uma visita formal; Ele quer comunhão profunda. Ele quer que a igreja deixe de ser um "clube social" para voltar a ser a "casa do Senhor".

Conclusão: O Chamado ao Vencedor

Jesus termina com uma promessa de governo: o vencedor sentará com Ele no trono. Para uma igreja que amava o poder e o status, Jesus oferece o verdadeiro poder que vem da submissão a Ele.

Aplicação Prática:
Arrependa-se da Mornidão: Peça a Deus que incendeie seu coração novamente. Não aceite uma vida cristã "morna".

Reconheça sua Pobreza: Pare de confiar em seus recursos e dependa totalmente da graça.

Abra a Porta: Jesus está batendo agora. O barulho do mundo tem impedido você de ouvir? Silencie o coração e deixe o Rei entrar.


Oração: Senhor Jesus, perdoa-nos por Te deixarmos do lado de fora. Reconhecemos que nossa riqueza é lixo sem a Tua presença. Cura nossa cegueira, tira nossa mornidão e entra em nossa casa. Queremos cear Contigo hoje. Amém.

Pr. Samuel Carvalho

A Determinação que Encontra a Vontade de Deus

  A Vontade de Deus como Fundamento para a Firmeza e a Iluminação em Nossas Decisões. Texto Base: Jó 22:28 (com contexto em Jó 22:21-27) ...