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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

De Réus a Juízes:


De Réus a Juízes: A Extraordinária Autoridade dos Salvos em Cristo

Muitas vezes, limitamos a mensagem do Evangelho a uma "apólice de seguro" contra a condenação. Dizemos que fomos perdoados, e isso é maravilhoso. No entanto, as Escrituras revelam que a obra de Cristo faz muito mais do que apenas "limpar nossa ficha". Ela opera uma transição de status cósmico: Cristo nos retira do banco dos réus e nos posiciona na bancada dos magistrados.

Neste artigo, exploraremos a fundamentação bíblica para uma das doutrinas mais negligenciadas e impressionantes da fé cristã: a autoridade judicial e governamental dos santos.

1. O Prenúncio Profético: O Juízo Entregue aos Santos

A ideia de que o povo de Deus exerceria autoridade não é uma invenção do Novo Testamento; ela está enraizada nas visões escatológicas dos profetas.

No livro de Daniel 7:22, vemos um momento crucial na linha do tempo profética: "Até que veio o Ancião de Dias, e o juízo foi dado aos santos do Altíssimo". Aqui, o termo "juízo" (no aramaico din) não se refere apenas a uma sentença recebida, mas à faculdade de julgar. É o estabelecimento da justiça divina através de representantes humanos glorificados.

O Salmo 149:6-9 corrobora essa visão ao descrever os santos com a "espada de dois gumes" para "executar o juízo escrito". Isso nos mostra que o governo de Deus sobre as nações não será exercido de forma isolada, mas em parceria com Sua assembleia de fiéis.

2. A Promessa de Jesus: Tronos e Delegação

Jesus não apenas confirmou as profecias antigas, mas as personificou. Ele vinculou a fidelidade no discipulado à autoridade no Reino vindouro.

  • Em Mateus 19:28, Jesus usa o termo paliggenesia (regeneração/renovação de todas as coisas) para descrever o tempo em que os apóstolos se assentariam em tronos para julgar as tribos de Israel.

  • Em Lucas 22:29, Ele utiliza uma palavra jurídica forte: "Eu vos destino (disponho) o reino, como meu Pai mo destinou".

Essa "destinação" implica uma transferência de autoridade legal. Jesus está repartindo Sua herança administrativa com aqueles que permaneceram com Ele em Suas tentações.

3. A Extensão da Jurisdição: Julgando o Mundo e os Anjos

Talvez o argumento mais contundente venha do Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 6:2-3. Ao repreender a igreja por não conseguir resolver litígios internos, ele revela uma verdade de proporções universais:

"Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? [...] Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?"

A lógica de Paulo é simples, mas esmagadora: se o seu destino eterno envolve a magistratura sobre o cosmos e sobre seres celestiais (anjos caídos), como você pode se sentir incapaz de gerir as questões triviais desta vida?

O que significa "julgar anjos"?

Refere-se à ratificação da sentença de Deus sobre as potestades espirituais que se rebelaram. Em Cristo, a humanidade redimida é elevada acima da ordem angélica, cumprindo o design original de Gênesis de dominar sobre a criação (Hebreus 2:5-10).

4. O Reinado Executivo: A Vara de Ferro em Apocalipse

No livro do Apocalipse, essa autoridade deixa de ser uma promessa teórica e se torna uma realidade executiva.

Em Apocalipse 2:26-27, Jesus promete ao vencedor "autoridade sobre as nações", mencionando que as regerá com "vara de ferro". Este termo simboliza um governo de retidão absoluta, onde a injustiça não terá permissão para florescer.

A base legal para isso está em Apocalipse 5:10: "Para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra". O sacrifício do Cordeiro não apenas nos comprou para Deus, mas reconfigurou nossa função no universo.

5. A Engenharia da Redenção: A Metamorfose Jurídica

Como um pecador pode se tornar um juiz? A resposta está exclusivamente na Expiação Vicária.

De Réu......Para Juiz
Condenação (Rm 3:23): Éramos culpados perante a Lei, sem defesa.Justificação (Rm 5:1): O veredito de "Culpado" foi transferido para Cristo.
Escravidão (Gl 4:7): Estávamos sujeitos aos rudimentos do mundo.Adoção (Ef 2:6): Fomos ressuscitados e assentados nas regiões celestiais.
Exclusão: Estávamos fora da aliança e do governo.Co-herança (Rm 8:17): Tudo o que pertence a Cristo, por direito, é partilhado conosco.

A nossa capacidade de julgar e reinar não deriva de nossa santidade intrínseca, mas da nossa União com Cristo. Como Ele é o Juiz de toda a terra, Seus membros (o Corpo) participam de Sua função judicial.

Conclusão: O Peso da Nossa Vocação

Entender que fomos chamados para julgar o mundo e os anjos deve transformar a forma como vivemos hoje. Não somos meras vítimas das circunstâncias ou do sistema mundial; somos embaixadores de um Reino que governará todos os outros.

A redenção em Cristo é completa: Ele nos tirou da lama, nos lavou de nossa culpa e, em um ato de graça indescritível, nos convidou a sentar ao Seu lado para administrar a eternidade.


Pr. Samuel Carvalho
Assembleia de Deus - Ministério do Belém - Campo de Ribeirão Preto 
congregação da Vila Vila Virginia 


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